‘Um Completo Desconhecido’: Cinebiografia do cantor e poeta Bob Dylan chega aos cinemas oito indicações ao Oscar

Foto: reprodução/internet
Foto: reprodução/internet

Narrar a história de Robert Allen Zimmerman, popularmente conhecido como Bob Dylan é um trabalho e tanto, principalmente sabendo que o ídolo da música folk americana é um dos maiores ícones de nosso tempo. Exímio compositor, com sua voz esganiçada e poesia matadora Dylan atravessou décadas influenciando gerações de músicos no mundo todo e influenciando corações e mentes com sua obra. Aqui no Brasil dá para citar Belchior, Raul Seixas e Zé Ramalho, entre tantos outros.

Arredio como só ele sabe ser, não é de se espantar que Dylan foi agraciado com o Nobel de Literatura em 2016 por criar novas formas de expressão poética na tradição da música americana, só que não compareceu a cerimônia de premiação, em dezembro do mesmo ano, tendo recebido o prêmio somente em abril de 2017, em Estocolmo, na Suécia, para ser agraciado em uma reunião particular na Academia Sueca. Como requisito para receber o Nobel, os vencedores precisam fazer uma palestra em até seis meses após o anúncio. O artista cumpriu o compromisso faltando dias antes de encerrar o prazo, em junho de 2017. Mais Dylan que isso é impossível.

Eis que hoje, estreia nos cinemas de todo país a cinebiografia “Um Completo Desconhecido”, com direção de James Mangold (Johnny & June, Logan, Ford vs Ferrari), com Timothée Chalamet, como Bob Dylan, Edward Norton, como Pete Segger, Monica Barbaro, como Joan Baez e Elle Fanning como Sylvie Russo, entre outros. O filme chega concorrendo a oito indicações ao Oscar 2025, que acontece no dia 2 de março

No filme, o foco é um período bem específico da vida do músico. É mostrada a chegada dele a Nova York, no começo dos anos 1960, e sua ascensão no meio folk, até que ele decide romper as expectativas e introduzir novos instrumentos, como a guitarra elétrica. Tudo isso permeado por alguns dos amores da vida de Dylan, como a cantora Joan Baez (vivida por Monica Barbaro, que concorre ao Oscar de atriz coadjuvante). Repleto de cenários e figurinos que retratam muito bem a Nova York da época, o curioso Dylan tenta conhecer Woody Guthrie (Scoot McNairy), um dos grandes nomes da folk music e um de seus heróis. É justamente a partir daí que a história se desenvolve.

Um dedinho do mestre

Durante a produção do filme houve envolvimento por parte de Dylan. Ele não deu a palavra final sobre qualquer elemento da obra, mas colaborou para o desenvolvimento. Peter Jaysen, um dos produtores, disse em entrevista ao The Town (via NME) que o ícone folk não apenas leu o roteiro junto ao diretor James Mangold, como chegou a atuar como ele próprio.

Abençoado pelo artista

É notório que Bob Dylan é conhecido por não assistir a nenhuma produção sobre si próprio. É por isso que o ator Timothée Chalamet, ficou surpreendido quando o músico usou as redes sociais para dizer que achava que o ator seria “completamente crível” fazendo o papel dele (“ou uma versão mais jovem”).

“Eu fiquei atônito”, disse o americano à reportagem sobre a mensagem, na qual também foi chamado de “ator brilhante”. “Fiquei apenas imensamente grato, sabe?”, comenta. “Estou muito, muito agradecido, do fundo do meu coração. Nem sei mais o que dizer.”

Acontece que Chalamet ganhou impulso na reta final do Oscar ao vencer no último domingo (23) o SAG Awards, o prêmio do sindicato dos atores de Hollywood. Trata-se, tradicionalmente, de um dos maiores termômetros do principal prêmio do cinema mundial.

Caso vença, ele vai se tornar o mais jovem vencedor do prêmio de melhor ator. Desde 2003, o título pertence a Adrien Brody, que também concorre neste ano por “O Brutalista”. Ralph Fiennes (“Conclave”), Colman Domingo (“Sing Sing”) e Sebastian Stan (“O Aprendiz”).

Independente do resultado, Chalamet sente que já ganhou. Só tem um troféu que ele ainda gostaria de conquistar: que Bob Dylan, o próprio, assistisse ao filme que já elogiou mesmo sem ver. “Sim, quero dizer, ouvi que ele não assistiu a nenhum dos documentários sobre ele ou a qualquer um dos filmes, então eu não esperaria que ele visse”, resigna-se. “Mas certamente trabalhamos muito duro nisso. Então estamos definitivamente muito orgulhosos do que fizemos.”. Além de dar vida ao lendário músico, Chalamet também canta as músicas que aparecerão no filme.

E ele entrega que, mesmo com as chances de Dylan assistir sendo remotas, teve essa possibilidade em mente durante as filmagens. “Acho que não tem como não afetar de certa forma, né?”, afirma. “Ele é uma figura real, que está viva e bem.”. Além de dar vida ao lendário músico, Chalamet também cantará as músicas que aparecerão no filme.

Críticas

Até o fechamento desta edição o site norte-americano agregador de críticas Rotten Tomatoes, em 310 avaliações da crítica especializada, pontuava 81% de aprovação e as mais de 5 mil avaliações da audiência pontuaram 95% de aprovação do público. Números significativos para uma cinebiografia.

Vitor Cierro da plataforma Tangerina no Uol, aprovou a atuação de Timothée Chalamet. “Chalamet tem espaço para brilhar, e as músicas de Dylan enfatizam ainda mais sua performance. No entanto, os coadjuvantes também merecem reconhecimento. Inclusive, Edward Norton e Monica Barbaro receberam indicações ao Oscar 2025 por seus papéis. O longa faz jus a Bob Dylan ao oferecer um recorte específico de sua trajetória, focando em sua relevância para a evolução da música. Embora não seja um panorama completo da carreira do artista, o filme capta sua essência de forma eficaz.”

Já Alexandre Almeida, do site de entretenimento Omelete, classificou o filme como bom. “Melhor do que a maioria das cinebiografias musicais que vimos nos últimos anos, Um Completo Desconhecido é um prato cheio para os fãs de Bob Dylan e de música em geral. Os grandes sucessos estão lá, o visual e, desculpe soar repetitivo, Timothée Chalamet nos faz acreditar que estamos vendo o jovem Dylan na tela. Entretanto, comparado com outras obras sobre o cantor e compositor, aí talvez o filme de James Mangold só passe na média, algo que Dylan e suas canções nunca foram.”

Clayton Davis, editor da Variety, gostou do que viu. “Timothée Chalamet se transforma em Bob Dylan com uma determinação natural, porém focada. Destemido em alguns momentos hipnóticos. Para mim, são Monica Barbaro e Elle Fanning que ancoram a história de um homem ilusório e misterioso que permanece naquela esfera. James Mangold comanda com confiança, com cenários e figurinos lindos. Muito respeito a um dos melhores para fazê-lo.”

Tessa Smith, crítica do Rotten Tomatoes e votante do Critics Choice Awards, se encantou com o longa. “‘Um Completo Desconhecido’ é absolutamente incrível. Chega quase 2,5 horas, mas voa. As apresentações musicais estão perfeitamente posicionadas, a história é cativante. Timothée Chalamet, Monica Barbaro, Elle Fanning e Edward Norton apresentam performances inesquecíveis. Estou maravilhada.”

Jazz Tangcay, também da revista Variety, aprovou o filme de James Mangold. “Uau. O desempenho de Timothée Chalamet nisso é superior. James Mangold e toda a sua equipe realizam um feito técnico desde som, edição, figurino, fotografia e design de produção, até as sutilezas de maquiagem e cabelo. Adorei.”

“Um Estranho Desconhecido” estreia hoje nos cinemas e a classificação indicativa é de 14 anos.

Por Marcelo Rezende

 

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *